quarta-feira, dezembro 07, 2005

Versejando

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Um prato, Emanuel Priolli

Sou muitas e várias
Por que nenhuma face me contenta?
O espelho não reflete minha alma,
O cansaço, as tormentas...

É preciso ter a mesa sempre posta
À espera das sutilezas, das flores frescas.
O que não tem definição
Não se traduz em indiferença.

Os textos falam, as trilhas fogem...
Mas o que fazer se nenhuma face me contenta?

6 comentários:

Marcos disse...

Nenhuma de nossas faces nunca nos contentam, salvo por alguns poucos minutos de elogios alheios.

Lu disse...

Existe também - é verdade - esse tipo de falta de contentamento, Marcos... o da não-aprovação do outro. Mas sinto que o eu-poético aqui está clamando por uma auto-aprovação num diálogo mudo. Abraços.

Anônimo disse...

gosto de procurar os rachadinhos da porcelana, lembrar que por baixo da pintura existe outra coisa além. algo que não se criou. que é apenas uma forma. metáforas? hum, talvez.

meu beijo à ti,

Camila

Lu disse...

Saudade de você, Camila - a arquiteta das mil formas :)
Sim, é bem por aí... descobrir o que há por baixo de uma demão de tinta ou o que uma hachura pode representar para uma vida, metáforas do ser... outro beijo saudoso.

Anônimo disse...

Lindo!!!

Lembrei de uma poeta brasileira chamada Cecília meireles...

Lua Adversa


TENHO FASES, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Lu disse...

Fico emocionada por saber que minhas letras evocaram Cecília Meireles. Esse que você citou é um dos meus favoritos.