quarta-feira, dezembro 21, 2005

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A carta de Beatriz vazou-me o peito. Senti-me mutilada como se inadvertidamente pisasse numa mina e de repente – onde estão minhas pernas?

Pus-me de luto por ti e por todos os sonhos abortados. Pela primeira vez compreendi, na carne, a dor de não poder ter filhos. Senti que a vida escorria-me do ventre numa hemorragia doída e incontida. Sonhos que não vingam são como filhos abortados.

Invejo e admiro-te, minha querida amiga, mais do que qualquer pessoa que tenha conhecido, tu soubestes transformar morte em vida.

Na próxima semana embarco para Paris. Vou ao lançamento d’O diário, vou colher os frutos rubros e selvagens produzidos por tuas mãos.

Com esta, encerra-se a série Missivas

Um comentário:

Alessandra Espínola disse...

A gente sempre tem filhos mortos... E sempre temos essa habilidade de comparar a dor de uma coisa a outra dor para poder tentar entender e saber lidar com as perdas, fracassos e frustrações. Mas acho que ainda não conseguimos por inteiro, nesses abortos perdemos muito sangue. Eita, viajei na mionese! (rs) Beijo no coração!