sexta-feira, outubro 27, 2006

Teorias amorosas (9)

- Alô.
- Susie?
- Quem é?
- Ulisses.
Após seis anos do mais absoluto silêncio, Ulisses resolveu aparecer. Assim simplesmente como se seis anos fossem seis dias.
- Susie?
- Oi.
- Estou na sua cidade.
- Ah, está?
- Sabia que me separei?
- Não, não sabia. Na verdade, eu nem sabia que você havia casado.
- Estou com saudades. Quero muito te ver, sair, conversar, tomar um vinho...
- Me comer... Tudo exatamente como antes, como se a última vez tivesse sido ontem, né?
Cinicamente, ele responde:
- Ai! Você não mudou nada. Continua cortante.
- Também você não mudou nada. Continua um cretino.

9 comentários:

Marcos disse...

E num é que é assim mesmo? Não sei como vocês podem gostar de homem, esse serzinho desprezível.

Lu disse...

Marcos querido, esse comentário só podia ser mesmo seu :))
Um dia vou te contar da minha teoria andrógina pra gente dar boas gargalhadas.
Ah, eu continuo acreditando no Homem, não no gênero, mas na espécie.
Beijão.

CeciLia disse...

AI, ai, ai... mas esta Susie é um nadinha poética, né, minha Lu? E se o bofe tivesse mudado? E se fosse bom o desfecho (para os dois, eu digo...)

Beijos e risadas. Acho que aquele livrinho vai ficar bala.

Vítor Leal Barros disse...

esta susie, aliás a mulher ou as mulheres desta série, estão muito zangadas com os homens e com o amor... mais cedo ou mais tarde ela (s) voltarão a acreditar, mas de olhos bem abertos...hehehehe

Lu disse...

Minha Lia, minha flor, não há poesia em histórias reincidentes.
Lembrei de um dito horrível: "figurinha repetida não preenche álbum". Aaaaai, que triste isso. hahahaha.
Querida, constato que os amantes têm um mecanismo altamente suicida. Eles dão uma segunda chance ad aeternum até o ponto do desgaste. Lá no fundinho, bem lá no fundinho, a gente não se engana, Lia. Sabemos o que viceja e o que não.
Essa coisa lembra-me muito a história de mulheres que apanham do marido. Elas sempre perdoam acreditando que eles vão mudar. Depois de perdoar a 36ª vez, elas continuam apanhando...
Nega, tudo isso para dizer que a poesia também está na 'desistência', em saber dizer não, basta... a construção da história do amor romântico é cruel, ela nos ensina que o amor tudo pode enquanto um dos lados agüentar. Pessoas não têm que agüentar nada, elas devem sim compartilhar tudo.
Essa mulher, do exemplo em questão, ela só vai voltar a ter dignidade e ser feliz quando ela souber responder ao companheiro de outro modo:
ele: juro que nunca mais faço isso.
ela: não faz mesmo porque EU não vou mais permitir.
Não é fácil, ninguém disse que era, mas a gente precisa continuar vivendo pra acreditar em amores possíveis, não é mesmo?
Beijão.

Lu disse...

Meu Vítor, tens razão em uma coisa. A(s) mulher(es) dessa série estão muito zangadas, sim. Com os homens, talvez; com o amor, nunca. Essas mulheres (mas também poderiam ser homens) não suportam mais a jogatina, as armadilhas, a falta de respeito... estão cansada de ser coisas.
A Lia disse lá em cima sobre um livrinho. Sim, estamos querendo editar um livrinho escrito só por mulheres a cerca desse universo amoroso. (E sim, Lia, vai ficar bala!)... o tema é a relação amorosa vista por uma visão Eros.
Mas o raciocínio pode ser o mesmo, querido, para o amor phylia.
Para além da ficção, eu Luciana, acredito que a zanga e a indignação podem ser estendidas a muitas situações.
Eu ando muito chata ultimamente, sabe, Vítor? Acho que é esse período de balanço da vida... bem, então, eu bradaria como essas mulheres não só pelo respeito de seus companheiros, mas também dos amigos.
O mesmo diálogo serviria para uma situação real que eu vivi há uns 8 anos atrás com um amigo de faculdade.
Dei-me conta que nossa amizade era uma farsa quando percebi que eu estava sempre disponível, mas a recíproca não era verdadeira. Então, a frase da Susie cairia para ele como uma luva apesar de não haver nenhum erotismo envolvido.
Bem, o resto dessa historinha eu conto lá no sincronicidade ao responder o teu último confessionário. Aguarda.
Talvez ao dizer não, Susie esteja experimentando esse momento de que falas, dos olhos bem abertos.
Beijos

Vítor Leal Barros disse...

se o livrinho 'bala' for para a frente eu quero um exemplar autografado...

não é um pedido, é uma exigência

hehehehe

beijos às duas

Edilson Pantoja disse...

Esses homens... (!) Oi, Lu!, como vai? Alusão ao final: será que homens e mulheres realmente mudam? Abraço!

Lu disse...

Oi Edilson, querido. Saudades de ti, menino!
Como vou? Vou indo, tateando as coisas e sentindo suas texturas.
Acho que o gênero humano muda, sim, Edilson. Só que a mudança é tão sutil e lenta que por vezes chegamos a duvidar. Mudar o Homem é mudar uma História das Mentalidades... eu vou morrer acreditando, Edilson... nesse ponto eu sou absolutamente utópica.
Não é a mulher ou o homem, esses seres tão atormentados e falhos que devem mudar. O buraco é bem mais embaixo. Todo dia a gente clama por respeito: para que não haja guerras, preconceitos, tiranias. A gente tem que aprender a clamar pelo respeito dentro de casa, nas relações mais íntimas.
Vovó ensinou-me: costume de casa vai pra rua.
Beijão.