terça-feira, agosto 16, 2005

Andei por aí perseguindo estrelas como quem caça borboletas... como se fosse possível apanhar nas mãos o brilho de quem já se apagou ou o vento sutil que o bater de asas proporciona.

Esbarrei nos impedimentos que nos separam – o espaço infinito e o balé das horas.

Tu sorrias, descrente, das minhas buscas.

Procurei gravar na areia toda a fome de mundo que eu sinto, toda essa urgência que motiva minhas entranhas, mas como demorastes, as espumas desmancharam os desenhos. Eles pareciam tão vívidos, mas já agora não resta sequer provas de sua existência.

Esperei pelo teu gesto...

O sol sangrou a tarde com seu aceno final. A noite trouxe a lua para fazer-me companhia. Logo mais a aurora veio avisar que já era tempo de despertar.

Esperei pela tua palavra...

Deixei bilhetes nos bolsos de tua roupa, olhei fixamente nos olhos teus, coloquei música, ensaiei dançar.

Não houve gesto, sequer palavra.

Hoje desfilo longe de teus olhos. Mudei a direção dos meus passos. Segui o mar que chamava pelo meu nome em sua concha. Existe um apelo em sua voz que é impossível ignorar. Não sei se é o movimento das ondas ou a força das marés... só sei que é um sussurro que lambe minhas pernas cheias de sal. E eu gosto de sua língua percorrendo minha pele.

Desejei inúmeras vezes que imitasses o mar, esperei pela arrebentação das tuas ondas para fertilizar meus sonhos, coloquei bóias indicando o caminho para que não te perdesses, para que não nos perdêssemos... mas nem o farol pode nos iluminar.

Hoje, da outra margem, observo teus movimentos e sou eu quem sorri.

Persegues estrelas como quem caça borboletas, como se fosse possível, como se fosse possível.

7 comentários:

A.G. disse...

talvez seja possível

Thiago disse...

é um prazer conhecer seu blog...
arigatô. e que a fome de mundo perdure..

Lu disse...

Abnormal beauty, o prazer é todo meu :)// Talvez, a.g., talvez...

Sorella Bionda disse...

Que beleza, que encanto tu escreveu, minha Valentona!

Lu disse...

Mana, engraçado como a gente consegue transcender e ainda assim fazer algo que toque e desperte nos outros o belo. Tu não existe! Beijão.

José de Castro disse...

Lu... voltar aqui é como receber uma brisa fresca de esperança em nossa aura... beijão.

Lu disse...

Castro, estou feliz com sua volta e visita. Beijos!