terça-feira, abril 29, 2008

Espasmos # 8

Ancorou seu corpo junto ao meu. Depois de ficar imóvel por um tempo, tentou com imensa dificuldade dirigir-se ao tombadilho.
Observando a lentidão dos seus movimentos e o vazio no olhar, tomei-lhe as mãos cuidadosamente; tive medo que ele quebrasse ao meu toque, estilhaçasse em mosaicos indescritíveis e impossíveis de juntar.
Não relutou em segurar a bóia que lancei. Agarrou-a com vontade e debruçou-se entregue ao resgate.
Não rompi seu silêncio. Ofereci meu porto até que, por si só, ele também descubra a viração, a vibração da vida.

2 comentários:

CeciLia disse...

O diamante rasgou na pele
a Palavra adormecida.
Lacerou as carnes
irrompeu sangue
borbulhou entranhas.

A Palavra
espasmódica
melódica
estranha
humana.

Demasiado humana.

andei te lendo em várias. Amei, como sempre. Beijos na alma, minha Lu. Fica bem.

Lu disse...

Minha Lia!!!!
Tantas saudades de ti, guria.
Como você está?
Amei teu comentário-presente.
Outro beijo na alma.