quinta-feira, setembro 21, 2006

O diário de G.H. (7)

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Finalmente aceitei o encontro.
Preparei o banho tendo o cuidado de deixar o vapor tomar conta. Mergulhei na banheira disposta a deixar na água todos os meus medos. Eles escoariam pelo ralo e pronto. Seríamos eu e ela.
Habituei-me a chamá-la assim: ela. Não sabia de quem se tratava, mas estava certa do seu gênero.
Encarei o espelho prestando atenção na umidade que escorria por ele e pelas paredes. Não pude conter o gesto. Toquei no seu ‘suor’ e levei a ponta dos dedos aos lábios: tinha gosto de sal.
Passei a mão pela superfície lisa e a imagem dela surgiu. Ela é... ela sou eu! Não escondi o espanto, mas a imagem não respondia aos meus movimentos e expressões, permanecia imóvel, impassível, olhos oblíquos.
Como se lesse meus pensamentos, deixou transparecer sua inquietude e voltou a cabeça em direção ao seu peito.
Esfreguei novamente o espelho e vi aquilo com olhos surpreendidos e admirados. Ela tinha um buraco enorme vazando seu corpo, no peito, exatamente entre os seios.
Estendi meu braço a fim de alcançar sua ferida e de repente a imagem não estava mais lá.

6 comentários:

Edilson Pantoja disse...

Olhaí nossa heroína de volta! Um tempão sem aparecer, também, mas a sede bateu e vim beber. Abraço!

Márcia do Valle disse...

Olha, moça, pode ir se acostumando porque á várias pessoas que habitam dentro de cada um de nós. Gostei do seu blog! Bjs

Lu disse...

Um brinde, então, Edilson! Tin tin.
Beijos.

E eu não sei??? ha ha ha.
Beijo.

Márcia do Valle disse...

Volte sempre ao Solta no Mundo, moça! Você e ela. Bjs

CeciLia disse...

Ah, os duplos e os Borgeanos espelhos...

que delícia.

Beijo na alma

Lia

luciana MELO disse...

Pois é, parece uma maldição, não? rs
Beijo, minha Lia.