quinta-feira, março 02, 2006

O Diário de G.H. (3)

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Red dress, Michael Austin

A hora do susto

Surpreendentes eram seus olhos quando raspei com a minha unha a primeira camada de pele. Era uma feridinha besta, destas que a gente cutuca para se ver livre, mas eis que sob meu peito saltaram aqueles olhos persecutórios, loucos de vontade de saber quem quebrava a casca do ovo antes da hora.
Havia uma hora prevista para que ela nascesse? Saberia ela que estava escondida em mim ou seria sempre um embrião em gestação? Seu azar foi a tal feridinha causando um certo incômodo ao toque da minha mão e pontas de dedo.
Levei um susto, sem saber se continuava puxando a pele ou dava um jeito de devolver a casca ao lugar de onde tirei. Ali imóvel sob aquela cadeira, encarando os tais olhos, fiquei com essa indagação por muito tempo, até que sua mão abrupta empurrou-me por dentro, impelindo ao salto. Corri para o armário do banheiro: o band-aid dar-me-ia a trégua necessária para saber o que fazer com a tal descoberta.

4 comentários:

CeciLia disse...

Minha Lu,

pior, mesmo, é saber que esta casquinha de nada, essa coisica que cutuca as pontas dos dedos na pele que enfeita o decote, essa casquinha é coisa daquela outra, que mora dentro, louca para ser descoberta, liberada, destampada em sua garrafa de pele e alguma cor. O susto da mulher de fora é puro deleite dessa, que nos sabe por dentro.

Belo texto. Beijo na alma.

Mariza disse...

Saudade.
Off-topic: VOCÊ FOI CONVOCADA. Para mais detalhes, aparece lá no blog.
Beijo

Mariza disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Lu disse...

É minha Lia, não tenho muito o que acrescentar... espero que o diário escrito por V se encarregue disso. Beijo.

Marizinha, muias saudades também. Prometo passar para ver qual é a surpresa. Beijos.