terça-feira, dezembro 14, 2004

Não tem poema, conto, palavra que dê conta do amor.
Não tem fonema, pontuação que expresse sua inteireza, até porque o amor não quer pausas, lapsos ou intervalos. O amor, este que me habita, é coisa corridinha, encadeada, anda de mãos dadas, não suporta exílios.
O amor quer ser incluído nas mãos, coxas, braços, boca; quer obter formas tantas e outras; ser variado como o verbo.
Mas quando o amor pede pausa, (e a pausa no nosso amor é um terrível não estar em ti e em mim), apresso-me para preencher os espaços.
É quando nascem os poemas - quando vejo a cama vazia.
Uma cama vazia é como o papel frio, em branco, sem palavras. Não aquece, não transforma, não têm forma.
Descansado, o amor retorna e então as palavras cessam, se calam, vão fazer ecos em outra morada

Um comentário:

Alessandra Espínola disse...

M A R A V I L H O S O ! ! ! É assim o amor! É a palavra da hora!
Adorei demais esse! Abração!