sábado, junho 21, 2008

Acabei de chegar do cinema.
Há muito tempo não entro numa sala de cinema para ver um filme de conteúdo “adulto”. A lista atualizada consta filmes dos estúdios Disney, Pixar e demais da mesma seara. Isso não significa, é claro, um martírio ou tortura, porque eu sou fã de animação, mas quem tem crianças por perto, sabe do que estou falando.
Minha intenção era ver a produção francesa La vérité ou presque (ou A quase verdade), mas cedi ao pedido de uma amiga de trabalho e fomos assistir Sex and the City.
Apesar de previsível, consegui me divertir porque aprendi encarar as crônicas de Carry Bradshaw como mera ficção.
Eu costumava ver o seriado até que enchi, cansei de ser iludida. Quando Sex and the city surgiu como seriado, tinha a pretensão de tratar do universo feminino e suas conturbadas relações de uma maneira bastante realista, uma vez que as histórias giravam em torno de mulheres que há muito deixaram de ser jovenzinhas sonhadoras e românticas. Eram mulheres de trinta, quarenta, cheia de histórias, decepções, alegrias, perdas, futilidades, papo-cabeça, ou seja, gente como a gente.
A protagonista/narradora é Carry Bradshaw, jornalista com uma coluna cativa que tratava das relações amorosas, sob a ótica feminina, na cidade Nova York. Carry é solteira, independente, dona de um discurso moderno, mas em busca de um grande amor.
Charlotte é a típica heroína dos romances do século XIX: bonita, delicada, feminina que sonha com a família perfeita. Aquela dos comerciais de margarina.
Miranda é a personificação dos ideais feministas, em outras palavras, ela é um homem de saias: é uma vencedora da batalha dos sexos no competitivo universo profissional: inteligente, racional, metódica, bem-sucedida. Um bom exemplo de que para ser bom profissional é preciso esquecer que a vida também é feita de emoção.
Por fim, Samantha. Make love not war é literalmente o seu lema.
Com o tempo descobri que Carry é uma farsa. Das quatro mulheres, ela é a única personagem absolutamente incoerente. No desespero de encontrar o “homem da sua vida” (que lá pelas tantas aparece), ela não percebe que perpetua os padrões da “mulherzinha”. Entre Aidan e Mr. Big, ela não tem dúvidas: Mr. Big, o estereótipo do solteirão convicto.
Carry deseja o que tanto rejeita, porque como uma boa Polyanna, ela acha que pode mudar o amado. Tira onda do amor romântico ao fazer piada de Aidan que ajoelhado pede sua mão em casamento, mas não hesita em dizer sim ao pedido de Big, tão clichê quanto o de Aidan, mesmo depois de ser por ele abandonada pela enésima vez. É preciso ter uma auto-estima muito baixa para continuar investindo 10 anos da vida em um cara como Big, mas tem gente que ainda rima amor com dor e tem um apego inexplicável à infelicidade.
Mas o filme tem algo que continua muito positivo, que na minha singela opinião, é o melhor. Sex and the city é mais do que histórias de balzaquianas em busca da felicidade amorosa. Sex and the city é sobre a relação de amor que liga quatro mulheres, sobre a amizade, que está acima de todos os clichês.
Valeu a pena ver uma Carry emocionalmente ferrada levantar numa noite fria e correr para abraçar uma amiga triste e solitária do outro lado da cidade; ou ver três amigas transformando uma fracassada viagem de lua-de-mel em momentos de solidariedade e espera paciente e silenciosa; ou ainda, constatar que apesar das crises, maridos, filhos, os amigos sempre terão o espaço sagrado que merecem em nossas vidas.

4 comentários:

bete pereira da silva disse...

Gostei do comentário. Estou demorando tanto pra ir ver, que acho que vou acabar vendo mesmo em vídeo, que vem bem mais de encontro à minha preguiça. Gosto do seriado, embora me cansem um pouco aquelas repetições de cenas de sexo. Mas quero ver o filme sim. Que bacaninha a sua caixinha de som.

Lu disse...

Oi garota!
Vá ver, sim, Bete. Cada um tem sua leitura particular. Essas são apenas as minhas impressões, um pouco cansadas, confesso, de ver tudo se repetindo, ainda que com outro verniz e novos modelitos Louis Vuilton.
Beijo.

P.S.: Se vc quiser montar a sua jukebox, eu te mando o endereço do site.

bete pereira da silva disse...

Eu gostei do Diabo veste Prada, quer dizer, gostei tipo pra peruar, distrair a cabeça, ver os modelitos...
Eu já tenho o G Cast, meu problema é que eu simplesmente não sei baixar músicas, embora seja mãe de um operador de audio numa rádio, a gente até tem um programa aqui, mas só salva em wave, enfim, complicada a vidinha.

Lu disse...

Bete, eu também gostei desse filme. Meryl Streep vale a pena, mesmo quando imaginamos que o filme seja duvidoso...rs. Nesse caso não é. O discurso da personagem é super coerente com suas atitudes.
No mais, eu sou a favor do entretenimento: super!
O jango não é um programa para baixar mp3, não. É um site onde você faz suas estações. Tudo online e fácil, porque eu também sou um terror para esse mundo tecnológico. Beijão.