quarta-feira, setembro 02, 2009
Pizzas e afins
sexta-feira, agosto 14, 2009
Dai-me paciência, Senhor!
Das muitas aberrações produzidas pelo Brasil (e Deus sabe que somos ultramegasupermaxiuber férteis na produção de políticos corruptos – ops, desculpem. Não sou de pleonasmos, mas é que políticos corruptos parece uma locução adjetiva – e celebridades de plástico), esta merece destaque pelo absurdo e pelo texto delicioso de Celso Sabadin.
Rancorosa, Xuxa ofende Gramado: Eles tiveram de me engolir
Celso Sabadin, enviado especial a Gramado
Noite de horror e indignação
Ontem (13/8), a noite de entrega do tal Kikito especial para Maria da Graça Meneghel foi um show de breguice deslavada que os 37 anos de Gramado não mereciam ter visto. Antes de mais nada, desde o dia anterior, montavam-se esquemas de segurança para a chegada da "Rainha". Não pode isso, não pode aquilo, vai ser assim, vai ser assado, ninguém pode falar com ela, ela não vai responder a nenhuma pergunta, não pode chegar perto, bla, bla, bla... Nem Barack Obama, se a Gramado viesse, mereceria tanta distinção.
Claro que tudo começou com atraso. Xuxa chegou ao chamado Palácio dos Festivais (cada Rainha tem o Palácio que merece) cercada do gigantesco alvoroço dos fãs. Alvoroço, aliás, que é a finalidade básica dos organizadores do festival ao convidá-la. Flashes, corre-corre, gritinhos, aquela coisa toda que o mundo das celebridades conhece bem. Ao ser chamada para a homenagem, a Rainha elegantemente desfilou pelos corredores do Palácio e, a poucos metros do palco, foi gentilmente abordada por um jovem súdito, aparentando pouco mais de 20 anos, que lhe pediu um beijo. Xuxa, ainda elegantemente, deu um leve beijo no rosto do rapaz e seguiu rumo ao palco, sem problema nenhum. Imediatamente, dois enormes seguranças imobilizaram o jovem, que levou uma chave de braço, foi rapidamente imobilizado e truculentamente retirado do local sob os gritos de protestos de alguns poucos que viram a cena.
Gramado precisava disso? De um showzinho particular de truculência e ignorância?
Já no palco, Xuxa recebeu seu troféu das mãos da atriz mirim Ana Júlia, foi ovacionada por parte da plateia, e dirigiu-se ao microfone onde desferiu a primeira bobagem: "Eu sou povo", ela disse. Bom, eu não conheço ninguém do povo que ostente seguranças truculentos para dar chaves de braço nas pessoas. Em seguida, num discurso rancoroso e até agressivo, Xuxa afirmou que nunca imaginou receber uma homenagem como aquela. "Nem eu", pensei, calado. E foi além: disse que jamais poderia pensar que o Festival de Gramado fosse capaz de superar os preconceitos e premiar uma pessoa do povo e suburbana como ela. Ou seja, chamou abertamente o Festival de preconceituoso. Como se, em edições anteriores, o evento só tivesse premiado magnatas e intelectuais.
Gramado precisava disso? De uma ofensa gratuita vinda de um homenageado?
A Rainha terminou sua fala dizendo: "Eu não me arrependo de nada. Eu não tenho vergonha de ser povo, de ser loira e vencedora". Ao que parte da plateia completou: "...E gaúcha!". De onde a loira tirou esta frase? Que nonsense foi este? Se eu não estivesse presente, não teria acreditado.
Porém, o pior estava por vir: ao descer do palco e voltar para os corredores do Palácio, Xuxa percebeu a presença do jornalista Luiz Carlos Merten, que por sinal estava sentado praticamente ao meu lado. Deu-lhe um amplo sorriso, abraçou o jornalista e sussurrou ao ouvido dele: "Eles tiveram de me engolir". Fiquei pasmo. Eles quem? Os organizadores de Gramado? Os críticos de cinema? O povo? Teria o espírito de Mário Jorge Lobo Zagallo incorporado provisoriamente na Rainha?
E, depois, se ela diz não se arrepender de nada, por que sua filmografia "oficial", publicada pelo Catálogo também oficial do Festival de Gramado, omite seus longas Fuscão Preto, Gaúcho Negro e Amor Estranho Amor? Os dois primeiros seriam bregas demais para a realeza? E o polêmico Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury? Algo contra a nudez da rainha? A rainha está nua?!
Segundo informações do Jornal de Gramado, além de todas estas barbaridades (para usar um termo bem gaúcho), Xuxa ainda teria cobrado um cachê de R$ 60 mil para aceitar ser homenageada.
Sinceramente, Gramado precisava de tudo isso?
Num momento de lucidez e equilíbrio, o ator José Victor Cassiel, apresentador do evento ao lado de Renata Boldrin, anunciou o próximo filme concorrente e conclamou a todos: "Vamos voltar ao Cinema". Perfeito! Xuxa, com seus filmes de péssima categoria, conteúdo risível, produção tosca e nenhum objetivo cinematográfico, além do merchandising e da bilheteria, pode representar qualquer coisa. Menos o cinema. Se o Festival de Gramado é um templo do cinema brasileiro, este foi profanado na noite de ontem.
E, Xuxa, rainha do cinema? Só se for a Rainha Má da Branca de Neve.
terça-feira, junho 30, 2009
Michael Jackson
Não dava para ficar calada a respeito do circo midiático criado ao redor do cantor. Bastou morrer para que ele deixasse de ser um pedófilo para ocupar novamente seu papel de gênio, Rei do pop.
Não entendo o motivo de as pessoas se surpreenderem com a morte misteriosa daquele que foi a personificação do mistério no mundo pop. Mais do que surpresas, as pessoas estão chocadas.
Chocadas com o que, me pergunto. O que ainda pode provocar estranheza, estupefação, no que tange à figura de Jackson?
Chocada fiquei quando vi um Michael Jackson se dissolver como ser humano; quando vi sua esquizofrenia e infelicidade ganharem corpo, abrindo mão daquilo que mais nos representa: a identidade.
Michael Jackson não é o primeiro e está longe de ser o último na lista de celebridades que desaparecem de maneira trágica e triste.
A dependência química, a depressão, a falta de limites, aliadas a uma história de vida miserável, já levaram muitas pessoas do cenário musical: Cássia Eller, Renato Russo, Elis Regina, Janis Joplin, Billie Holyday, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones, Kurt Cobain, Michael Hutchence, Elvis Presley e por aí vai.
O que diferencia Michael Jackson da pequena lista acima é o fato de ter sido o único (se bem me lembro) que – além de causar mal a si mesmo pelo uso de drogas – mutilou suas feições.
Nem vou me prolongar, neste post, discorrendo sobre o talento inconteste de MJ. Na minha opinião, somente dois nomes citados acima revolucionaram a música dentro de seus estilos.
Elvis Presley e M. Jackson. As alcunhas de "Rei do rock" e "Rei do pop", respectivamente, fazem jus aos artistas. Ambos fizeram mais do que revolucionar o rock e o pop. Eles criaram estilos únicos. Elvis deixou o legado do macacão espalhafatoso e do requebrado hormonal de sua pélvis; Michael abusou de coreografias ousadas e das luvas bordadas com pedras preciosas. Independentemente do gosto do freguês, isso ficará. Essas expressões têm assinatura inconfundível.
O que me deixa cada vez mais desesperançada em relação ao ser humano é, de um lado, a sua fragilidade, a sua debilidade enquanto indivíduo; de outro, sua ferocidade enquanto sociedade. Podemos ser fator de transformação, mas escolhemos ser letais, hobbesianos.
Além da baixíssima autoestima, de uma história pessoal de abusos, Michael Jackson foi vítima de preconceito racial. Ele acreditou, como poucos, numa teoria do branqueamento e não mediu esforços para ser aceito.
Aqui no Brasil, a teoria foi estudada por Sérgio Buarque de Holanda; foi tema de livros, como os de Lima Barreto (O mulato, Clara dos Anjos), e ainda hoje é estudada nos meios acadêmicos.
Skidimore em Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro, afirma que embora o campo intelectual brasileiro, do final do XIX e início do XX, se inspirasse nas teorias racistas européia e norteamericana, não podia negar o alto grau de miscigenação do povo brasileiro e nem pregar uma segregação institucionalizada como fizeram os EUA. “Ao contrário dos EUA, em vez de duas castas (branca e não branca), havia uma terceira casta social bem reconhecida: o mulato. Quanto mais clara a tonalidade da pele, maior sua aceitação na ascensão social.
“Dehumanization involves categorizing a group as inhuman either by using categories of subhuman creatures such as inferior races and animals, or by using categories of negatively valued superhuman creatures such demons, monsters, and satans. Trait characterization is done by using traits that are evaluated as extremely negative and unacceptable to a given society”.
Michael Jackson mais do que um fenômeno de mídia, merece estudo antropológico, sociológico e psicológico. Pode ser um rico objeto de estudo. Mas prefiro pensar que alguém como ele merece também atenção dos nossos olhos humanos, ou do que restou de humanidade em nós, para enxergarmos quão poderosos são nosso julgamento, nossas palavras e a nossa falta de afeto.
Já disse isso uma vez aqui mesmo. Repito: a tolerância não me convém. Não quero tolerar nem ser tolerada. Quero ser digna de respeito.
sábado, maio 16, 2009
quarta-feira, maio 13, 2009
Tietagem
Fiquei emocionadíssima ao ler a notícia que posto logo abaixo. Emocionada por ver a literatura de Salim Miguel sendo reconhecida e mais emocionada ainda porque esse reconhecimento será celebrado em vida pelo autor.
Há um componente pessoal, é claro, caso contrário não seria tietagem.
Estou feliz!
Vocês sabem como é a sensação de ficar feliz por empréstimo? Sabe quando o sorriso brota no rosto espontaneamente, melhor, involuntariamente, pelo simples motivo de você imaginar a cara de satisfação, de orgulho de alguém que você preza muito?
Estou aqui escrevendo e não consigo tirar do rosto esse sorriso prazenteiro, porque essa notícia teve esse poder: deixou em mim aquela sensação de felicidade clandestina que a Clarice descreveu de modo tão preciso no seu conto.
Tenho a cara de boba porque sou capaz de ver essa mesma expressão no rosto de um amigo querido (e que há muito não vejo) ao saber da novidade. E o melhor de tudo isso é que ele não teve que esperar para ler nos jornais, ouviu tudo isso do próprio pai, do próprio Salim Miguel.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) concedeu ontem ao escritor, jornalista e roteirista cinematográfico catarinense Salim Miguel o Prêmio Machado de Assis 2009, láurea de maior destaque da ABL. A entrega do prêmio, no valor de R$ 100 mil, acontecerá no dia 23 de julho. Miguel tem mais de trinta livros publicados e é reconhecido com grande ficcionistas, contista, cronista e ensaísta. E entre os seus romances, destacam-se NUR na Escuridão e A Voz submersa.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
quinta-feira, abril 30, 2009
Lionel Brard
De tanto andar
Em corredores estreitos
Foi que me perdi
Sem direção
A casa estranha,
De insana arquitetura,
Não resistiu ao vazio,
À erosão.
As paredes rachadas
Internamente caiadas
Ainda deixam vazar
A solidão.
(Luciana Melo - 21/04/04)
terça-feira, abril 14, 2009
Bloody Hell
quarta-feira, abril 08, 2009
segunda-feira, março 23, 2009
Havia um cavalo preso em seu peito. Selvagem e indócil. E cavalos selvagens não combinam com o confinamento, com os espaços restritos e a opressão. Sua agressividade não era à toa; bastava uma chance, a menor delas, para coicear tudo que se aproximava e parecia subtrair o pouco que já tinha.
Era um cristal. Estava a um triz de se quebrar além de tudo que estava ao seu redor. Não raramente associavam a fragilidade ao cristal. Onde veem fragilidade, eu vejo pureza. Deve ser esta a razão de não haver pureza nos dias de hoje. Tudo que é puro não dura, desmancha, estilhaça: a pureza é frágil e não suporta tantos muros.
quarta-feira, março 18, 2009
sábado, março 14, 2009
Obras completas de D. Hélder Câmara
Na contramão de tudo que temos ouvido da e sobre a instituição Igreja – retorno ao pensamento secular, excomunhões, insistência na ideia do pecado como punição, entre outras coisas –, D. Helder é o que há de bom, revolucionário, avant les lettres, é a expressão da fé e da doutrina cristã.
Homem tímido e que agia nos bastidores, D. Hélder contribuiu para o estabelecimento de uma Igreja engajada na causa dos pobres ou como ele mesmo dizia “mais servidora e pobre e menos senhora e rica”.
Dono de uma consciência profunda, D. Helder sempre teve um posicionamento claro e extremamente comprometido com o ser humano.
A postura de Dom Helder ficara clara desde o seu discurso de posse – uma histórica peça de coragem num momento em que mandatos eram cassados e as cadeias viviam abarrotadas de presos políticos.
Falou também do seu tema preferido: “(...) cuidaremos dos pobres, velando, sobretudo, pela pobreza envergonhada e tentando evitar que da pobreza se resvale para a miséria”.
É disso que as religiões precisam: de gente e de fé. Essas são as alavancas que movem o mundo dentro de uma mística onde pessoas professam sua relação com Deus. Teorias da prosperidade, dogmas infundados, relação de promiscuidade com o poder político e econômico, charlatanismo. Tudo isso empobrece o discurso teológico, esvazia templos e afasta o homem da sua porção divina, não religa nada, ao contrário, aparta o homem (matéria) da sua alma, estabelece relações céticas em relação à essência do ser humano.
terça-feira, março 10, 2009
Os Bestializados
Sempre imaginei quais demônios o atormentavam naquele momento em que os expulsou das entranhas ao soltar a voz. Qual dor ficou tão insustentável a ponto de se transformar em loucura?
A violência é hoje o meu maior demônio. Aquele que quero expelir de forma incisiva, aquele que não aguento mais esconder ou fingir que não existe. A violência extrapola os muros do que é considerado real – os jornais, as revistas, o noticiário de TV – e da própria historiografia. A violência está identificada na música, nas expressões artísticas e naquilo que é considerado fictício: cinema e literatura. Guernica, holocaustos, Meninos não choram, Milk, 174, Proibido Proibir, Cidade de Deus... a lista é extensa.
O que leva um pai, tio, padrasto – pessoas com o dever de proteger e cuidar – cometer tantas atrocidades contra suas crianças?
Já não sei mais diferenciar o que é doença e o que é simplesmente maldade. Porque se supõe que a pedofilia, por ser uma doença, representaria casos isolados que se mantem mais ou menos constantes nas estatísticas. Mas não é o que acontece. Muito pelo contrário, o quadro é alarmante. Crescem os casos de abuso e violência. Vivemos uma quimera de que a era digital, tecnológica, o conhecimento ao alcance de mão, para ser mais exato, em um simples clique, aprimorasse o intelecto e a consciência. Falácia! Estamos a cada dia mais bestializados.
Uma criança de 9 anos acabou de passar por um duplo trauma. Não bastasse ser violentada desde os 6 anos de idade, essa menina também foi submetida a um aborto. Que tipo de criatura é essa que além de destruir um corpo tão frágil ainda destrói a doçura e o sonho de uma criança? Ainda restou alguma esperança nela? Qual a noção de proteção que ela tem? Que tipo das relações ela construirá? Terá sobrado algum espaço para o afeto e a confiança?
Não bastasse o absurdo de tudo, ainda vem a Igreja com uma conversa sem pé nem cabeça sobre excomunhão!
Sou contra o aborto, mas sou ainda mais contra a estupidez. Que tipo de moral norteia uma conduta em que se excomunga a vítima e o algoz sai ileso?!
Mulheres, mães, acordem, por favor! Pesa sobre nós a responsabilidade de educar os filhos. Que tipo de pessoas estamos formando e lançando no mundo? Sempre me pareceu um disparate, um paradoxo, termos na sociedade contemporânea pensamentos machistas ainda tão profundamente arraigados. Qual é a parcela de contribuição do universo feminino em perpetuar tanta burrice e preconceitos? O que estamos ensinando aos nossos filhos? Ainda dizemos aos meninos que existem dois tipos de mulheres, as que servem para casar e as que não servem? Ainda usamos o velho argumento para as meninas que os irmãos podem fazer isso e aquilo pelo simples fato de serem homens? Que o homem promíscuo é um garanhão e a mulher é puta? Que eles podem dispor do nosso sexo como se fossem deles? No dia 8 de março, as mulheres bradam por liberdade e igualdade nas suas mais diferentes expressões, mas será que em casa ensinam isso aos seus filhos? Será que ainda estimulam os garotos a iniciarem cedo sua vida sexual enquanto pregam a virgindade das meninas como se sexo não fosse responsabilidade de duas pessoas?
Os homens são educados por mulheres. As mesmas mulheres que sofreram anos por causa da opressão e de tantos espartilhos a lhe comprimirem o corpo e alma. Não seriam por isso mesmo mais sensíveis para perceberem o menor sinal de asfixia? Onde estão essas mães que não enxergam seus filhos, que não percebem o terror nos seus olhos, os hematomas no corpo, a apatia no gesto? Foram três anos de abuso e para onde estavam voltados os olhos dessa mulher?
Não estou aqui apontando culpados. Não faz sentido. Mas faz sentido refletir nossos padrões de comportamento e valores. Estamos deixando um legado de infelicidade e destroços. Estamos criando gerações e gerações de farrapos humanos, de deficientes emocionais.
Já é difícil ter que conviver com a violência institucionalizada, aquela que vem da rua, da miséria, do tráfico, mas ninguém deve ser obrigado a viver a violência da casa, do espaço das relações privadas e dos afetos.
Não tenho muito o que celebrar nesse 8 de março. Pra dizer a verdade, por vezes, tenho vergonha de dizer que sou ser humano. Os irracionais somos nós.
sábado, janeiro 17, 2009
V
Há um não-sei-quê amadorístico nos gestos e intenções do blefador. Algo oculto em seus olhos trai a encenação. Nem todos os ensaios do mundo são capazes de sanar seu deslize, sua insegurança, o medo de ser delatado pelas palavras mal colocadas, por sua impostura.
Quando ele fala, seus ombros estão sempre curvos, os olhos miram o chão, o sorriso é quase uma agonia. Não se permite tocar e ser tocado, esquiva-se ao menor sinal de contato como se seu corpo recebesse uma descarga elétrica mortal.
Cansei dessa peça. Já conheço bem as marcas, as deixas, o roteiro. Então, quando o refletor muda de foco e a platéia fica na escuridão, eu me retiro do recinto. Mas devo confessar que o faço com pesar, com alguma dor por vê-lo acreditando verdadeiramente na sua mentira.
Feliz 2009
Aos amigos e transeuntes desapercebidos que circulam por este blogue, aqui vai mais uma daquelas promessas de começo de ano: espero estar mais presente por essas vagas cibernéticas.
2008 foi um ano que não deixará nenhuma saudade. Parei muita coisa para estudar para concursos e parece que deu certo.
Li bastante, mas nada daquilo que de fato me alimenta e deixa a alma farta, satisfeita... mas como dizem por aí, não se pode ter tudo de uma vez só.
Até mais ler
segunda-feira, novembro 17, 2008
A flor do meu desejo ou o desabrochar da paixão
quarta-feira, novembro 05, 2008
O dia da vitória
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos? Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".
terça-feira, novembro 04, 2008
Um pouco de ufanismo não faz mal a ninguém
sexta-feira, outubro 03, 2008
As Matriarcas (11)
- O que houve? E o que você faz aqui, Tiziu?
- Não está lembrada, D. Olívia? A gente estava andando de bicicleta lá pras bandas do Largo da Esperança quando a senhora passou mal e desmaiou. Acho que foi o sol. Estava quente por demais e a senhora não deve de tá acostumada.
- Não deve estar acostumada!
- Pois não foi o que eu disse? Então, voltei correndo na bicicleta, busquei a charrete e o Nhô Agenor para ajudar.
- Ah, sim! Agora estou me lembrando... Diga-me, faz muito tempo que estou dormindo?
- Não. Coisa de meia hora.
- E você ficou aqui esse tempo todo, velando meu sono?
Acho que a comoção na minha voz o deixou enrubescido.
- É. Queria saber se a professora tava bem – disse um Tiziu todo envergonhado.
- Estou ótima, Tiziu. Agora você pode ir. Descanse um pouco e faça seus deveres de casa. Mas antes, pegue ali a minha bolsa.
Ele foi pegá-la, todo preocupado.
- Aqui está o seu pagamento.
- Não, D. Olívia. Não precisa pagar. A gente nem chegou a fazer o passeio direito.
- Pegue. Esse é o combinado. Além do mais, você ainda teve o trabalho de voltar para buscar ajuda. Vamos, vamos. Pegue.
Relutante, ele esticou a mão para receber o dinheiro. Eu o puxei e disse-lhe:
- Muito obrigada. O dinheiro é seu para comprar o que quiser, mas não vá gastar com bobagens, sim?
- Pode deixar, D. Olívia.
Quando Tiziu bateu a porta, fiquei lembrando-me de tia Margarida, da procissão, de seus surtos, de sua dor.
A primeira vez que vi tia margarida se descontrolar foi na morte da bisa Lola. Mais tarde, na procissão e depois disso, ela nunca mais foi a mesma.
Antes de tudo isso começar, ela dava aula no Grupo Escolar. Era uma excelente professora. As crianças adoravam-na. Lembro de tia Guidinha sempre perfumada, usando saias esvoaçantes. Ela tinha pernas escandalosas. Ela gostava de poesia e me fez ter gosto por literatura. A primeira vez que li Bandeira, deparei-me com um poema seu que dizia assim:
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos era muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do [corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
Disse a ela que achei Tereza a sua cara e que mesmo sem conhecê-la, Manuel Bandeira escrevera aqueles versos para ela. Ela divertia-se com essa minha idéia.
Quando tia Margarida surtava, escutar a mim declamando esse poema era uma das poucas coisas que a acalmava.
sexta-feira, setembro 19, 2008
IV
Eu sou assim em relação à escrita. Deve ser esse o motivo pelo qual ando tão mal humorada, quase venenosa; sinto-me intoxicada, tenho dores por todo o corpo, chovo pluviosamente, estou impaciente, mordaz, quase cruel: é a falta de tinta no papel, a ausência de calos nos dedos, a quantidade imensurável de palavras que percorrem as artérias, adentram células, mas não encontram lugar para desaguar, nem que seja a mais discreta fenda. Lá se vão novamente passear pelas minhas entranhas. De tanto represá-las – as palavras – entupiram as finas veias do meu coração, oxidaram minha saliva e tudo tem sabor de ferrugem.
Não há nada que um belo torniquete não cure. As palavras aos poucos gotejam do corte, ventilando o ar e trazendo certo frescor, algo semelhante ao cheiro da chuva, da terra molhada.
A despeito das misérias, queria ter escrito sobre a beleza oculta, quase violentada, do filme É proibido proibir, mas não o fiz, sabe-se lá a razão. Eu só queria registrar que apesar da violência, do mondo cane, da merda de vida que temos, há em algum lugar, ainda que remoto, um sopro de esperança.
Eu leio Clarice, Pessoa, Drummond... eu ouço Chico, Bach, Calcanhotto e o silêncio. Fico pensando nos motivos que me impelem a isso. Por que Clarice, Drummond, Chico, Cortázar, Osman Lins, Machado e não Joyce, Saramago, Ana Carolina? Por que vitrais, os labirintos, as perspectivas, o tempo psicológico e não o tempo cronológico, a narrativa encadeada, o discurso direto e plano? Por que os redemoinhos, as temáticas angustiantes, personagens comezinhos e humanos e não o romance de costumes, o herói mítico? Respostas? Nenhuma me satisfaz, então aceito o simples “porque sim”.
Lembrei agora do Chico, lindo em relato muito pessoal que não deixa de ser risível, mas eu não sorri, eu chorei doído e tive uma vontade louca de ser amiga dele, pegar o telefone e dizer: “Chico querido, a casa do Oscar não foi destruída, ela resistiu ao tempo. A casa do Oscar está construída em terreno sólido e preservou o traço peculiar do arquiteto, aquele traço que deixa a sensação de que tudo flutua, de que tudo tem asas. Nada nem ninguém podem destruir a casa do Oscar, porque ela foi construída num lugar para além do sonho e do desejo”. Mas eu não sou amiga do Chico, logo, não pude dizer nada. Então eu escrevo porque não dá para represar tudo o tempo todo.
“Quando eu morrer que me enterrem na beira do chapadão”...
Eu gosto de Chico porque ele é antes de tudo um ser literário, ele é dos detalhes, dos vitrais, dos mosaicos vertiginosos. O Chico é fã do Rosa, do samba, da bossa, do Tom.
“Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome”...
Eu gosto da Calcanhotto porque ela conhece a Frida Khalo e suas cores, porque ela escuta o mar e canta seus segredos, porque conhece poesia concreta, mas não é dura, engessada.
“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.”
Eu amo a Clarice porque ela é complicada, porque é mais Kafkaniana do que o próprio Kafka. Eu amo a Clarice porque tenho certeza que ela é a prova de que o abstracionismo tem tradução.
Osman, Cortázar, Machado... todos são pequenas peças do mosaico. Eles podem ser lidos sem manuais, porque transgridem regras, porque eu tenho uma queda pelo que é raro e pelo que está em vias de extinção, como a espécie do Homus caleidoscopicus.
Gosto de objetos estranhos com sons estranhos, mas imponentes e que por si só são uma sinfonia de fonemas. Eu gosto das palavras que nomeiam tais objetos.
G r a m o f o n e e s c a f a n d r o a l d r a v a p a l í n d r o m o.
Por quê? Deve ser porque um dia, um anjo torto disse: vai ser gauche na vida. Eu não dei ouvidos, mas um tal de Carlos não cometeu o mesmo erro.
