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quinta-feira, abril 30, 2009

Lionel Brard
Lionel Brard

De tanto andar
Em corredores estreitos
Foi que me perdi
Sem direção

A casa estranha,
De insana arquitetura,
Não resistiu ao vazio,
À erosão.

As paredes rachadas
Internamente caiadas
Ainda deixam vazar
A solidão.


(Luciana Melo - 21/04/04)

sexta-feira, dezembro 30, 2005

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Quero as conchas – todas elas.
as dor mar – madrepérolas de delícias;
tuas mãos – cálice de promessas;
teus lábios – a casa dos meus sonhos.

Em troca dou-te meus ouvidos de indecifráveis segredos;
Minha vulva de tenras umidades.

Meus seios são tua casa, alimenta-te.
Regala-te. Suga-o prontamente,
Retira-lhe o mel.
E na hora do descanso, oferto-te meu ventre.
Vem, repousa.
Lança tuas sementes.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Versejando

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Um prato, Emanuel Priolli

Sou muitas e várias
Por que nenhuma face me contenta?
O espelho não reflete minha alma,
O cansaço, as tormentas...

É preciso ter a mesa sempre posta
À espera das sutilezas, das flores frescas.
O que não tem definição
Não se traduz em indiferença.

Os textos falam, as trilhas fogem...
Mas o que fazer se nenhuma face me contenta?

sexta-feira, setembro 09, 2005

Eu, pessoa inalienável

Olhou-me diferente.
Ofertou-me o tempo
Em sua infinita relatividade,
Plantou orquídeas no meu coração.

Hoje, devolvo-lhes as chaves
De antigas promessas:
Não negocio meus mistérios,
Meus segredos são indevassáveis.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Quase

Há uma longa espera
No breve espaço em que
A mão antecede o gesto
E a boca anuncia o beijo.

Afago este intervalo amoroso,
Oculto profundos desejos.
Já no instante seguinte,
Transmuto.

Não faço pactos com a solidão.
Sigo na direção do que é meu.
Ainda que no fim sejamos
Só a noite escura e mais eu.

sexta-feira, maio 20, 2005

Angústia

Quem é que vem,
O que é que tem,
depois do fim?

A lâmpada apaga-se,
A música acaba.
O que resta de mim?

Quando o silêncio atordoa
E o sono não chega
Que anjo, qual querubim?

Se tudo termina
com um ponto final,
Por que me sinto assim?
Incompleta, dividida,
Tão chinfrim?

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Haicai bobo ou Estrangeirismo

Ménage à trois

Me
Myself and
I

terça-feira, dezembro 07, 2004

CONFRONTO

A palavra me toma,
Semitona.
Mastiga minhas parcas letras,
Engole outras que a alimentam
E cospe meu bolo apoético.

Ela corta tudo que sobra,
Eu soçobro...
Ela amalgama,
Eu despedaço...
Ela enovela,
Eu resvalo...
Ela finaliza,
Eu? Arre! Mato!

terça-feira, novembro 30, 2004

A palavra perfeita?
Não ouso sequer pronunciar.
Ela deixa a garganta estreita
E esgarça as cordas ao vibrar.
As vozes?
Estão sempre à espreita,
Esperando o tempo certo de falar.

quarta-feira, novembro 17, 2004

Tempo

SAUDADE

Não sinto dor nem saudade
apenas escuto os ponteiros do coração
batendo descompassado:
tic tac tic tac
Luís Duarte, Era uma vez...

quarta-feira, novembro 10, 2004

Silêncio – voz de todas as coisas.
Estou imune aos barulhos
Dos apitos, das ruas, buzinas.
Vago nas noites ermas,
Nas cinzas das horas vazias.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Inabilidade

Eu não sei cantar,
escrevo mal.
Preciso de quase nada.
Um pouco de liberdade
e um punhado de sonhos,
talvez.
Disto eu entendo –
Voar por espaços mágicos
E inatingíveis.
Meu lar é o infinito.

quarta-feira, outubro 13, 2004

COMO SE FOSSE BRINCADEIRA DE RODA

A vida é uma ciranda, cirandinha.
Brincadeira de roda,
Idas e voltas.

Vitrine que se espatifa
A uma só pedrada.
Vidro que se desmancha no ar,
Ferindo os olhos d’alma
Impedindo-os de enxergar.

Mas eu não!
Eu vejo o olho do furacão,
Sinto o perfume do vento,
Mastigo a fome que me devora.

Ciranda, cirandinha.
Volta e meia,
Eu, inteira.


Chagall

sábado, setembro 18, 2004

Ressaca

Sabe o que mais amo,
O que mais me completa?
- Tua boca sedenta, entreaberta.


Sabe o que me arrepia,
O que me converte?
- Teu corpo depois do amor, quase inerte.


De todas as coisas,
O que mais me alarma,
O que mais me apavora?
- Ver o dinheiro na cama
depois que você vai embora.

Bonnard

sexta-feira, setembro 10, 2004

Intrumentos Cortantes

LÂMINA

Rodopio a noite inteira,
Rasgo meus panos,
Como minhas entranhas.
Sou farrapo, estilhaço de gente...
Minha alegria é a fome que me assanha.
Eu me transfiguro:
Espumo e blasfemo.
A lua é quem dita o meu tempo.
Meu cabelo é bicho feroz...
Meus olhos, um grito lancinante...
A minha boca, o meu algoz.
Sou faca, sou foice, sou instrumento cortante.

sexta-feira, agosto 27, 2004

Um poeminha antigo

VIA CRUCIS


Por que tanto amor
Se não há lugar,
Não há espaço,
Não há cama no mundo
Que o suporte?

O amor cansou do amor...
Juntou seus pedaços,
Fragmentos de cartas,
Livros esquecidos,
Canções inacabadas
E sumiu na escuridão.

O amor não esperou o amor...
Não lhe deu asas,
Não foi paciente
E ainda abusou de duras palavras.

O amor se fartou de amor...
Bebeu veneno,
Engoliu sapos,
Engasgou e feneceu.

O amor olhou nos olhos do amor...
Não se reconheceu
Nem o reconheceu.
Apenas ressentiu-se
De continuar amando
Um amor ausente.

O amor morreu de amor...
O amor matou o amor
Num tedioso domingo sem nuvens

O amor agonizou,
Partiu-se, dilacerou-se
Em luz. Em plena
Quarta-feira voltou a ser
Cinzas, pó e mais nada.

(Luciana Melo – 09/09/03)


http://itisphoto.com

sexta-feira, agosto 20, 2004

PALAVRA

A pedidos, resolvi publicar o poema na nova morada.


A palavra prima,
A palavra desdenha.
Não liga para rimas,
Não liga para senhas.

A palavra não se intimida!

A palavra inflama,
A palavra incendeia.
Ela desmancha os pontos
Tecidos na areia.

A palavra é teia!

A palavra encanta,
A palavra frustra.
Enovela os dramas
Na madrugada bruta.

A palavra é lâmina!
Escrever, Luis Pedro