Desisti. Comparado ao que temos vivido, achei o texto nonsense, raso, sem nenhuma coerência. Mas que coerência tem a violência? Ela nunca foi tão banal.
Melhor do que o discurso é, sem dúvida, a tirinha do Geraldão.

arte, literatura & cia

30 de janeiro é o Dia da Saudade.
Do latim, solìtas, átis 'unidade, solidão, desamparo, retiro'; der. do lat. sólus, a, um 'só, solitário.
Essa palavrinha manhosa, tinhosa, cujo significado traz, para quem a sente, um pontinha de dor sem deixar de lado a lembrança do sorriso, do prazer só existe na Língua Portuguesa. Claro que existem expressões equivalentes em outros idiomas, mas sem a inteireza, sem a carga poética que empregamos pelas bandas de cá.
Assim a define o Houaiss:
“Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (freq. us. tb. no pl.)”.
Melhor do que as definições e etimologias que cercam o vocábulo, só mesmo Tom e Vinícius:
Chega de Saudade
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim
No Jornal da Band do último dia 31, o âncora Boris Casoy cometeu uma gafe pra lá de infeliz. Durante o programa, após as felicitações de Ano Novo de uma dupla de garis, o jornalista não percebeu que o microfone estava aberto e falou o que pensava:
"Que m****... dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho..."
ISSO É UMA VERGONHA!
Para quem não sabe, esse é o bordão usado pelo jornalista para mostrar desaprovação com relação à postura de políticos corruptos e pessoas desprovidas de qualquer senso moral, ético ou qualquer uma dessas categorias em franco desuso.
Vergonha é perceber que por trás de toda a pompa e de uma suposta criticidade, o jornalista, formador de opinião, guardião dos valores civis não difere em nada daqueles que tanto reprova: preconceituoso, arrogante e elitista.
Deixa estar! Basta uma semana de greve da categoria "mais baixa da escala de trabalho" para que se dê conta que o lixo que ele e seus iguais produzem fede e emporcalha a bela vista que têm o privilégio de desfrutar.Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.Vinícius de Moraes
Diante de tanta urgência do cotidiano, pouco é o tempo que sobra para ler e, por consequência, menor ainda é o tempo para escrever. Comigo funciona dessa maneira, ler e escrever são atividades afins. Tudo que leio é técnico, visa à excelência do trabalho que tento desenvolver, mas a tecnicidade é dura, não tem alma.
Dói em mim a angústia de não poder expressar em palavras aquilo que tem me consumido, mas não vou sofrer mais do que o necessário. É o que consigo fazer agora, é o que tenho capacidade de administrar.
Sei que novamente virá o tempo da semeadura, do encantamento, das palavras fluidas e plenas.
Então, por hora, faço como me ensinaram: aproveito as pequenas alegrias que a vida me proporciona. E a pequena alegria do dia, que compartilho com os amigos que entendem o poder transformador das palavras, é a escolha de um poema meu para uma coletânea a ser publicada pela Universidade de Brasília.
Espaço Cassiano Nunes/Biblioteca Central – UnB
Divulgamos o resultado do Prêmio de Poesia Cassiano Nunes.
Os poetas ganhadores são:
Primeiro lugar – Luiz Martins da Silva
Segundo lugar – José Carlos Mendes Brandão
Terceiro lugar – João Pedro Fagerlande
Os demais poetas selecionados, numerados de
2. Alexsandre Escorsi Messias Moro
3. Altair Cirilo dos Santos
4. Andrea Perazzo Barbosa Souto
5. Andréia Glaicielly Martins Rocha
6. Andressa de Souza Silva
7. Anéris Paes
8. Antonio Claudio de Araújo Júnior
9. Arthur Rodrigues Clemente
10. Athanis Molas Rogrigues
11. Bruna Martins Viana
12. Camila Marcelo Pinto Oliveira
13. Carlos Alberto Barros
14. Carlos Augusto Sousa de Oliveira
15. Rafael Millioti Ramalho
16. Daniel Rocha Barbosa
17. Diego Martins de Mesquita
18. Dora Duarte
19. Edna Rúbia Mendes Facundo
20. Ednéia Rodrigues Ribeiro
21. Eduardo Menezes da Silva
22. Elias Araújo
23. Elias Daher Junior
24. Eugênio Sousa Ibiapina Parente
25. Fabiana Motta Tavares
26. Fábio Martins Moreira
27. Flávia da Silveira Perez
28. Gabriel Cardoso do Amaral
29. Geraldo Trombin
30. Guilherme Oliveira de Brito
31. Guilherme Scalzili
32. Henrique Fialho Barbosa
33. Hércules Souza Teixeira
34. Iara Maria Carvalho
35. Ilton Gurgel Fernandes
36. Ítalo Augusto Camargos Peireira
37. Jacqueline Beatriz Teixeira Barbosa
38. Jaques Jesus
39. José Lima Garcia Júnior
40. José Luiz Amorim
41. Juliana Rodrigues de Morais
42. Júlio César Gentil de Mello
43. Jussara Gabin
44. Karla Calasans de Mello
45. Kátia Rodrigues Baroni
46. Kybelle de Oliveira Rodrigues
47. Leandro Zacarias Gomide
48. Leila Saads
49. Leonardo Motta Tavares
50. Lucas Mendes de Oliveira
51. Luciana da Silva Melo
52. Luciano Dionísio dos Santos
53. Lucie Losephe de Lannoy
54. Luiz Gustavo de Souza Alves
55. Marcel Francisco Veiga
56. Marcelo Ferreira Carámbula
57. Márcia Andréia Reis Pereira de Carvalho
58. Marcos Alberto de Souza Oliveira
59. Marina Mara da Silveira Chaves
60. Marton da Silva Santos
61. Matheus Gregório Vinhal e Silva
62. Michele Eduarda Brasi de Sá
63. Nadyr Angela Berge Ceschim Oiticica
64. Odemir Paim Peres Júnior
65. Oswaldo Pullen Parente
66. Paola Daniella da Fonseca Rodrigues
67. Paulo Emílio Pereira Ferraz
68. Paulo Franco
69. Paulo Rômulo Aquino de Souza
70. Pedro Gontijo Menezes
71. Pedro Vinícius Cortez Nobre
72. Perpétua Conceição da Cunha Amorim
73. Rafael Gomes Fernandes
74. Renan Alves Melo
75. Ricardo Lahud
76. Robledo Neves Cabral Filho
77. Rodrigo Domit
78. Rodrigo Vasconcelos Rodrigues Pinheiro
79. Ruth Meyre Mota Rodrigues
80. Sadat Gonçalves de Oliveira
81. Salatiel Ribeiro Gomes
82. Sara Mayara Martins Borges
83. Savigny Machado Lima
84. Sidnei Alves de Oliveira
85. Sônia Maria Carriel Brandão
86. Suzane Lima Conceição
87. Tarciana Barbosa de Freitas
88. Teresinha de Jesus Gonçavels Motta
89. Terezinha Santos de Amorim
90. Thais Lima Rocha
91. Thaisa Cristina Comelli Dutra
92. Thiago Cordeiro Moulin
93. Thiago José Rodrigues de Paula
94. Tiago da Silva Frota
95. Valberto Cardoso da Silva
96. Valter Rosa da Silva Júnior
97. Walther Morera-Santos
98. Whisner Fraga
99. Willians Rodrigues da Silva
100. Zilda Pedro da Silva
Das muitas aberrações produzidas pelo Brasil (e Deus sabe que somos ultramegasupermaxiuber férteis na produção de políticos corruptos – ops, desculpem. Não sou de pleonasmos, mas é que políticos corruptos parece uma locução adjetiva – e celebridades de plástico), esta merece destaque pelo absurdo e pelo texto delicioso de Celso Sabadin.
Rancorosa, Xuxa ofende Gramado: Eles tiveram de me engolir
Celso Sabadin, enviado especial a Gramado
Noite de horror e indignação
Ontem (13/8), a noite de entrega do tal Kikito especial para Maria da Graça Meneghel foi um show de breguice deslavada que os 37 anos de Gramado não mereciam ter visto. Antes de mais nada, desde o dia anterior, montavam-se esquemas de segurança para a chegada da "Rainha". Não pode isso, não pode aquilo, vai ser assim, vai ser assado, ninguém pode falar com ela, ela não vai responder a nenhuma pergunta, não pode chegar perto, bla, bla, bla... Nem Barack Obama, se a Gramado viesse, mereceria tanta distinção.
Claro que tudo começou com atraso. Xuxa chegou ao chamado Palácio dos Festivais (cada Rainha tem o Palácio que merece) cercada do gigantesco alvoroço dos fãs. Alvoroço, aliás, que é a finalidade básica dos organizadores do festival ao convidá-la. Flashes, corre-corre, gritinhos, aquela coisa toda que o mundo das celebridades conhece bem. Ao ser chamada para a homenagem, a Rainha elegantemente desfilou pelos corredores do Palácio e, a poucos metros do palco, foi gentilmente abordada por um jovem súdito, aparentando pouco mais de 20 anos, que lhe pediu um beijo. Xuxa, ainda elegantemente, deu um leve beijo no rosto do rapaz e seguiu rumo ao palco, sem problema nenhum. Imediatamente, dois enormes seguranças imobilizaram o jovem, que levou uma chave de braço, foi rapidamente imobilizado e truculentamente retirado do local sob os gritos de protestos de alguns poucos que viram a cena.
Gramado precisava disso? De um showzinho particular de truculência e ignorância?
Já no palco, Xuxa recebeu seu troféu das mãos da atriz mirim Ana Júlia, foi ovacionada por parte da plateia, e dirigiu-se ao microfone onde desferiu a primeira bobagem: "Eu sou povo", ela disse. Bom, eu não conheço ninguém do povo que ostente seguranças truculentos para dar chaves de braço nas pessoas. Em seguida, num discurso rancoroso e até agressivo, Xuxa afirmou que nunca imaginou receber uma homenagem como aquela. "Nem eu", pensei, calado. E foi além: disse que jamais poderia pensar que o Festival de Gramado fosse capaz de superar os preconceitos e premiar uma pessoa do povo e suburbana como ela. Ou seja, chamou abertamente o Festival de preconceituoso. Como se, em edições anteriores, o evento só tivesse premiado magnatas e intelectuais.
Gramado precisava disso? De uma ofensa gratuita vinda de um homenageado?
A Rainha terminou sua fala dizendo: "Eu não me arrependo de nada. Eu não tenho vergonha de ser povo, de ser loira e vencedora". Ao que parte da plateia completou: "...E gaúcha!". De onde a loira tirou esta frase? Que nonsense foi este? Se eu não estivesse presente, não teria acreditado.
Porém, o pior estava por vir: ao descer do palco e voltar para os corredores do Palácio, Xuxa percebeu a presença do jornalista Luiz Carlos Merten, que por sinal estava sentado praticamente ao meu lado. Deu-lhe um amplo sorriso, abraçou o jornalista e sussurrou ao ouvido dele: "Eles tiveram de me engolir". Fiquei pasmo. Eles quem? Os organizadores de Gramado? Os críticos de cinema? O povo? Teria o espírito de Mário Jorge Lobo Zagallo incorporado provisoriamente na Rainha?
E, depois, se ela diz não se arrepender de nada, por que sua filmografia "oficial", publicada pelo Catálogo também oficial do Festival de Gramado, omite seus longas Fuscão Preto, Gaúcho Negro e Amor Estranho Amor? Os dois primeiros seriam bregas demais para a realeza? E o polêmico Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury? Algo contra a nudez da rainha? A rainha está nua?!
Segundo informações do Jornal de Gramado, além de todas estas barbaridades (para usar um termo bem gaúcho), Xuxa ainda teria cobrado um cachê de R$ 60 mil para aceitar ser homenageada.
Sinceramente, Gramado precisava de tudo isso?
Num momento de lucidez e equilíbrio, o ator José Victor Cassiel, apresentador do evento ao lado de Renata Boldrin, anunciou o próximo filme concorrente e conclamou a todos: "Vamos voltar ao Cinema". Perfeito! Xuxa, com seus filmes de péssima categoria, conteúdo risível, produção tosca e nenhum objetivo cinematográfico, além do merchandising e da bilheteria, pode representar qualquer coisa. Menos o cinema. Se o Festival de Gramado é um templo do cinema brasileiro, este foi profanado na noite de ontem.
E, Xuxa, rainha do cinema? Só se for a Rainha Má da Branca de Neve.