terça-feira, junho 29, 2010

Curtas da Copa

Nada melhor do que uma vitória para que a imprensa vira-casaca mostre a cara.
Vai sal grosso aí, Dunga?

quinta-feira, maio 27, 2010

"See you in another life, brotha"

Putz, tem tempo que não escrevo um post, pessoas.

Eu poderia elencar inúmeros motivos para este meu silêncio: excesso de trabalho, cansaço, falta de tempo, mas esses não são fatores determinantes.

Já escrevi posts enquanto me sentia cansada, chateada, deprimida, frustrada, puta da vida. Esses sentimentos nunca me impediram de “falar”.

Mas estou em algum lugar do tempo que não sei definir o que sinto, só sei de uma coisa: não tenho nada a dizer. Quando algo me provoca e penso: “vou escrever sobre isso”, tudo não passa de ímpeto. Tão logo eu começo a rascunhar as palavras no papel, o desejo passa, acho “mais do mesmo”, repetitivo, não acrescenta.

Pessoalmente, isso me angustia, porque denota aquele estado que chamo de TANTO FAZ (E eu não sou uma pessoa de esperas!).

Tanto faz falar ou não falar, escrever ou não escrever, denunciar ou não denunciar... Esse lugar chamado TANTO FAZ é um terreno movediço, perigoso, amorfo, é o espaço de quem perdeu a esperança, de quem desistiu de agir, porque no fim, não adianta, nada muda.

Por outro lado, no que se refere aos textos que aqui publico e se pretendem ‘literários’, o silêncio não me incomoda. Aprendi a respeitar os intervalos e os longos desertos criativos, porque escrever algo que clama alguma elaboração exige estudo, dedicação, leitura. Não acredito em inspiração apenas.

Mas ontem, depois de ver o último episódio de Lost, tive vontade de escrever umas bobagens aqui.


Eu acompanhei as duas primeiras temporadas da série. Achava aquela nova linguagem o máximo! O roteiro era impecável, os mistérios iam surgindo de maneira inteligente, prendendo a atenção e exercendo efeitos alucinóginos na audiência, de modo que era impossível não viajar nas teorias.

Na terceira temporada, comecei a ficar entediada e receosa pelo final e, então, comecei a “cabular aulas”.

Apesar de sempre ter ouvido e lido que os roteiristas já tinham um plano traçado, digamos assim, a planta baixa da série, sabendo quando e como acabaria, eu tinha certeza que não seria bem assim. Afinal, uma série que revolucionou a linguagem televisa, não ia se manter hermeticamente fechada à resposta da audiência.

Fui turista da quarta temporada, porque não me sentia mais tão motivada. O descarrilamento de Lost começou a me dar paura.

Antes de mais nada, eu sou homus literatus. Quando eu gosto demais de um livro e vejo que estou preste a terminar a leitura, começo a pisar no freio, fico adiando o final, porque vai batendo saudade das personagens e da narrativa bem construída.

Foi o que fiz em relação a Lost, comecei a ver de vez em quando, para não estragar a mágica de duas temporadas brilhantes.

Voltei a ser uma “lostie” na quinta temporada e esperei para ver o desfecho desta que foi a sexta e última.


Primeiro ponto: achei o final muito digno com as personagens. O fato de os roteiristas de Lost terem se perdido, não invalida a importância dessa série para os padrões de linguagem e mídia televisivas. Lost é incontestavelmente um marco no mundo do entretenimento e a série será sempre lembrada.


The End foi emocionante, cheia de epifanias redentoras e uma mensagem muito otimista no que se refere às relações humanas que construímos no decorrer de nossa existência.

E Lost tem um monte de outros detalhes que renderiam livros e mais livros: uma filosofia de aceitação da morte, a tomada de consciência de que as pessoas vivem isoladas, em suas ilhas pessoais. E não importa o quanto você fuja, a alternativa de quem escapa da ilha é o deserto – que é uma simbologia muito forte, e das mais antigas, para a representar a solidão e o embate do Homem com os seus demônios.

Agora vamos combinar: nem metade dos mistérios propostos foi respondida. E não vem com esse papo de que é a personagem que importa, os mistérios são secundários. Se fosse única e exclusivamente a personagem que importasse, então, não precisaria criar uma mítica, uma teoria matemática para explicar as viagens no tempo. Uma narrativa bem construída justifica a existência de personagens bem estruturadas.

Na cena final, o elenco foi reunido, mas alguém viu Mr. Eko no recinto?

Por que não foi permitida a Benjamin Linus, que sempre foi minha personagem preferida – eu tenho uma queda por vilões inteligentes –, uma redenção completa? O cara que deu a vida pela ilha foi excluído do processo de eleição do “candidato”.

Também não gostei do maniqueísmo estabelecido entre Jacob e o Homem de Preto. Por que Jacob era o Bem e o Homem de Preto, o Mal? A retomada da construção do discurso do anjo decaído não foi bem executada.

O que separou Caim de Abel foi a inveja; Lúcifer de Deus, a arrogância, a cobiça... mas o que separou Jacob do irmão, que não foi merecedor sequer de um nome?

O Homem de Preto queria ser livre, queria poder cruzar o oceano e conhecer outras realidades; ele queria ter o livre arbítrio de escolher não viver com a assassina de sua mãe. E por que Jacob foi sempre tão submisso? Por que aceitou tão bem o fato da morte da mãe e o convívio com sua assassina, mas jamais aceitou o desejo do irmão de ir além?

Isso não é apenas mistério. É, como diria Nietzsche, humano, demasiado humano.

A complexidade psicológica das personagens, construída ao longo de seis anos, foi substituída e subestimada pela aceitação e redenção, pura e simples, como se esse desfecho fosse a regra, a única trajetória possível do percurso humano.

domingo, março 14, 2010

Glauco

Ontem rascunhei um post, baseado em teorias sociais, citando inclusive o DaMatta, em que tentava explicar (o que não tem explicação!) a mim mesma o que tem nos levado a menosprezar a vida de tal forma que perdemos toda e qualquer referência de respeito e indignação e nos acostumamos a achar tudo normal.
Desisti. Comparado ao que temos vivido, achei o texto nonsense, raso, sem nenhuma coerência. Mas que coerência tem a violência? Ela nunca foi tão banal.
Melhor do que o discurso é, sem dúvida, a tirinha do Geraldão.






quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Dia da Saudade

30 de janeiro é o Dia da Saudade.


Do latim, solìtas, átis 'unidade, solidão, desamparo, retiro'; der. do lat. sólus, a, um 'só, solitário.

Essa palavrinha manhosa, tinhosa, cujo significado traz, para quem a sente, um pontinha de dor sem deixar de lado a lembrança do sorriso, do prazer só existe na Língua Portuguesa. Claro que existem expressões equivalentes em outros idiomas, mas sem a inteireza, sem a carga poética que empregamos pelas bandas de cá.


Assim a define o Houaiss:

Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (freq. us. tb. no pl.)”.


Melhor do que as definições e etimologias que cercam o vocábulo, só mesmo Tom e Vinícius:


Chega de Saudade

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)


Vai minha tristeza

E diz a ela que sem ela não pode ser

Diz-lhe numa prece

Que ela regresse

Porque eu não posso mais sofrer


Chega de saudade

A realidade é que sem ela

Não há paz não há beleza

É só tristeza e a melancolia

Que não sai de mim

Não sai de mim

Não sai


Mas, se ela voltar

Se ela voltar que coisa linda!

Que coisa louca!

Pois há menos peixinhos a nadar no mar

Do que os beijinhos

Que eu darei na sua boca


Dentro dos meus braços, os abraços

Hão de ser milhões de abraços

Apertado assim, colado assim, calado assim,

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim


Que é pra acabar com esse negócio

De você viver sem mim

Não quero mais esse negócio

De você longe de mim

Vamos deixar esse negócio

De você viver sem mim


terça-feira, janeiro 19, 2010

Por que não te calas... (1)

...Boris Casoy?

No Jornal da Band do último dia 31, o âncora Boris Casoy cometeu uma gafe pra lá de infeliz. Durante o programa, após as felicitações de Ano Novo de uma dupla de garis, o jornalista não percebeu que o microfone estava aberto e falou o que pensava:

"Que m****... dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho..."

ISSO É UMA VERGONHA!

Para quem não sabe, esse é o bordão usado pelo jornalista para mostrar desaprovação com relação à postura de políticos corruptos e pessoas desprovidas de qualquer senso moral, ético ou qualquer uma dessas categorias em franco desuso.

Vergonha é perceber que por trás de toda a pompa e de uma suposta criticidade, o jornalista, formador de opinião, guardião dos valores civis não difere em nada daqueles que tanto reprova: preconceituoso, arrogante e elitista.

Deixa estar! Basta uma semana de greve da categoria "mais baixa da escala de trabalho" para que se dê conta que o lixo que ele e seus iguais produzem fede e emporcalha a bela vista que têm o privilégio de desfrutar.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Feliz Natal

Queridos amigos que persistem em dividir a leitura deste Glossolalias (ultimamente, diria que tem sofrido de mudez), desejo um Natal divino e um Ano Novo sereno, com aquela sensação boa de rede na varanda.
Beijos.

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.


A
ssim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.


Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinícius de Moraes

terça-feira, outubro 20, 2009

Lançamento de livro

Para quem estiver em Sampa, não perca a oportunidade, pelamordedeus!!

Chico Buarque1

quinta-feira, outubro 15, 2009

Das pequenas alegrias

Diante de tanta urgência do cotidiano, pouco é o tempo que sobra para ler e, por consequência, menor ainda é o tempo para escrever. Comigo funciona dessa maneira, ler e escrever são atividades afins. Tudo que leio é técnico, visa à excelência do trabalho que tento desenvolver, mas a tecnicidade é dura, não tem alma.

Dói em mim a angústia de não poder expressar em palavras aquilo que tem me consumido, mas não vou sofrer mais do que o necessário. É o que consigo fazer agora, é o que tenho capacidade de administrar.

Sei que novamente virá o tempo da semeadura, do encantamento, das palavras fluidas e plenas.

Então, por hora, faço como me ensinaram: aproveito as pequenas alegrias que a vida me proporciona. E a pequena alegria do dia, que compartilho com os amigos que entendem o poder transformador das palavras, é a escolha de um poema meu para uma coletânea a ser publicada pela Universidade de Brasília.


Concurso Nacional de Poesia Cassiano Nunes

Espaço Cassiano Nunes/Biblioteca Central – UnB


Divulgamos o resultado do Prêmio de Poesia Cassiano Nunes.

Os poetas ganhadores são:


Primeiro lugar – Luiz Martins da Silva

Segundo lugar – José Carlos Mendes Brandão

Terceiro lugar – João Pedro Fagerlande


Os demais poetas selecionados, numerados de 1 a 100 e listados em ordem alfabética, têm o direito de publicação de seu poema escolhido.

1. Alexandre Magno Gonzalez de Lacerda

2. Alexsandre Escorsi Messias Moro

3. Altair Cirilo dos Santos

4. Andrea Perazzo Barbosa Souto

5. Andréia Glaicielly Martins Rocha

6. Andressa de Souza Silva

7. Anéris Paes

8. Antonio Claudio de Araújo Júnior

9. Arthur Rodrigues Clemente

10. Athanis Molas Rogrigues

11. Bruna Martins Viana

12. Camila Marcelo Pinto Oliveira

13. Carlos Alberto Barros

14. Carlos Augusto Sousa de Oliveira

15. Rafael Millioti Ramalho

16. Daniel Rocha Barbosa

17. Diego Martins de Mesquita

18. Dora Duarte

19. Edna Rúbia Mendes Facundo

20. Ednéia Rodrigues Ribeiro

21. Eduardo Menezes da Silva

22. Elias Araújo

23. Elias Daher Junior

24. Eugênio Sousa Ibiapina Parente

25. Fabiana Motta Tavares

26. Fábio Martins Moreira

27. Flávia da Silveira Perez

28. Gabriel Cardoso do Amaral

29. Geraldo Trombin

30. Guilherme Oliveira de Brito

31. Guilherme Scalzili

32. Henrique Fialho Barbosa

33. Hércules Souza Teixeira

34. Iara Maria Carvalho

35. Ilton Gurgel Fernandes

36. Ítalo Augusto Camargos Peireira

37. Jacqueline Beatriz Teixeira Barbosa

38. Jaques Jesus

39. José Lima Garcia Júnior

40. José Luiz Amorim

41. Juliana Rodrigues de Morais

42. Júlio César Gentil de Mello

43. Jussara Gabin

44. Karla Calasans de Mello

45. Kátia Rodrigues Baroni

46. Kybelle de Oliveira Rodrigues

47. Leandro Zacarias Gomide

48. Leila Saads

49. Leonardo Motta Tavares

50. Lucas Mendes de Oliveira

51. Luciana da Silva Melo

52. Luciano Dionísio dos Santos

53. Lucie Losephe de Lannoy

54. Luiz Gustavo de Souza Alves

55. Marcel Francisco Veiga

56. Marcelo Ferreira Carámbula

57. Márcia Andréia Reis Pereira de Carvalho

58. Marcos Alberto de Souza Oliveira

59. Marina Mara da Silveira Chaves

60. Marton da Silva Santos

61. Matheus Gregório Vinhal e Silva

62. Michele Eduarda Brasi de Sá

63. Nadyr Angela Berge Ceschim Oiticica

64. Odemir Paim Peres Júnior

65. Oswaldo Pullen Parente

66. Paola Daniella da Fonseca Rodrigues

67. Paulo Emílio Pereira Ferraz

68. Paulo Franco

69. Paulo Rômulo Aquino de Souza

70. Pedro Gontijo Menezes

71. Pedro Vinícius Cortez Nobre

72. Perpétua Conceição da Cunha Amorim

73. Rafael Gomes Fernandes

74. Renan Alves Melo

75. Ricardo Lahud

76. Robledo Neves Cabral Filho

77. Rodrigo Domit

78. Rodrigo Vasconcelos Rodrigues Pinheiro

79. Ruth Meyre Mota Rodrigues

80. Sadat Gonçalves de Oliveira

81. Salatiel Ribeiro Gomes

82. Sara Mayara Martins Borges

83. Savigny Machado Lima

84. Sidnei Alves de Oliveira

85. Sônia Maria Carriel Brandão

86. Suzane Lima Conceição

87. Tarciana Barbosa de Freitas

88. Teresinha de Jesus Gonçavels Motta

89. Terezinha Santos de Amorim

90. Thais Lima Rocha

91. Thaisa Cristina Comelli Dutra

92. Thiago Cordeiro Moulin

93. Thiago José Rodrigues de Paula

94. Tiago da Silva Frota

95. Valberto Cardoso da Silva

96. Valter Rosa da Silva Júnior

97. Walther Morera-Santos

98. Whisner Fraga

99. Willians Rodrigues da Silva

100. Zilda Pedro da Silva